Ringg, da Índia, recebe apoio da Peak XV e expande IA de voz para além das ligações
Mais de 76% dos consumidores indianos preferem falar com empresas por telefone, segundo estudo recente da Truecaller. Como a voz ainda é o canal preferido, sobra espaço para automatizar atendimento e suporte com IA de voz no país. A startup Ringg, que já processa 20 milhões de chamadas por mês, aposta que esse volume vai crescer ainda mais — e acaba de levantar mais dinheiro com base nessa aposta.
A empresa anunciou um aporte de US$ 10 milhões da Peak XV Partners como extensão da sua Série A. A rodada, que já tinha US$ 5,5 milhões captados no início do ano, agora soma US$ 15,5 milhões no total.
Das ligações simples aos fluxos complexos
A Ringg nasceu como DesiVocal, uma startup de text-to-speech, mas treinar seus próprios modelos de voz se mostrou caro. Os fundadores então subiram na stack e passaram a construir agentes de voz por IA para empresas. A fintech indiana Cred foi a primeira cliente — e, desde então, a Ringg assinou com Flipkart, Practo, Groww e PolicyBazaar.
"No início, fazíamos casos de uso de alto volume e baixa complexidade, como chamadas de saída, qualificação de leads e cobrança. Percebemos rapidamente que esses casos não são aderentes, então sempre seria um jogo de preço", disse o cofundador Siddharth Tripathi ao TechCrunch.
A Ringg ainda atende alguns desses casos mais simples, mas está de olho em fluxos de trabalho mais complexos: agendamento de consultas em clínicas de saúde, recuperação de carrinhos abandonados no e-commerce e verificações de onboarding/KYC para fintechs. O agente de voz da Ringg já opera em 1.200 clínicas do aplicativo de saúde Practo, ajudando pacientes a marcar visitas ou acompanhar os próximos passos após a consulta.
Além da voz
As chamadas de voz ainda representam mais de 70% do negócio da Ringg, mas a startup começou a se expandir para outros canais, incluindo chat e WhatsApp. Para clientes como a Shell, também automatiza solicitações de suporte no navegador.
"Estamos tentando nos posicionar como uma plataforma de agentes que geram resultados ou fazem as coisas acontecerem, em vez de agentes de voz para empresas", afirmou Tripathi.
Estratégia de expansão
A maioria dos clientes da Ringg está na Índia, com alguns no Oriente Médio e nos EUA. Mas a startup não tenta vender diretamente para empresas americanas; em vez disso, quer se associar aos chamados Global Capability Centers na Índia — hubs offshore que multinacionais usam cada vez mais para trabalho de back-office e suporte — para vender automação junto ao atendimento humano.
A empresa constrói seus próprios modelos de reconhecimento e geração de fala e quer, no futuro, ter toda a stack de voz, incluindo infraestrutura e implantação. Por enquanto, isso ainda é caro demais, então o produto funciona como uma camada de orquestração, direcionando tarefas para diferentes modelos conforme o caso de uso.
Rishen Kapoor, principal da Peak XV, destacou que o fato de a Ringg ter começado como um laboratório de pesquisa construindo seus próprios modelos aparece justamente nos casos de uso complexos que a empresa enfrenta hoje:
"Por causa das capacidades técnicas, eles conseguem executar esses fluxos de trabalho empresariais, conquistados com muito esforço, de ponta a ponta. Eles conseguem concluir tarefas de maior valor, como onboarding de lojistas e suporte L1 e L2, com qualidade e consistência", disse Kapoor ao TechCrunch.
Mercado competitivo
A IA de voz na Índia é um campo concorrido. Fabricantes de modelos como Deepgram, ElevenLabs, Cartesia e players locais como Sarvam e Smallest.ai disputam posição. Startups de orquestração como Bolna e Blue Machines atuam na mesma camada da Ringg, enquanto players focados em setores como Gnani e Arrowhead concentram-se em finanças.
Nessa stack em camadas — quem cria modelos, quem orquestra e quem aplica —, o dinheiro e a defensabilidade ficam cada vez mais com quem controla o relacionamento com o cliente e o resultado final.
A Ringg tem hoje 40 funcionários, com mais de 15 contratados nos últimos três meses. A startup está contratando engenheiros de implantação que combinam habilidades técnicas com gestão de produto, além de pesquisadores focados em reduzir o custo de execução dos seus modelos.