“Não estamos fazendo 30 apostas por ano”: Vijay Pande sobre apostar pequeno depois de gerir US$ 4 bilhões na a16z
Vijay Pande já foi mais conhecido no mundo acadêmico do que no de investimentos. Há 12 anos, Marc Andreessen e Ben Horowitz — que passaram os primeiros cinco anos da firma evitando saúde e ciências da vida — decidiram apostar na área e entregaram as chaves a Pande, então professor de química em Stanford e criador do Folding@home. Ele transformou a aposta em uma prática de quase US$ 4 bilhões na a16z.
Em junho do ano passado, porém, Pande surpreendeu ao sair para fundar a VZVC com Zach Werner. A nova firma é enxuta: poucos investimentos concentrados por ano, sem associados, usando IA no dia a dia.
Biologia como engenharia
Pande vê a biologia deixando de ser uma “ciência da descoberta” para se tornar algo que se pode projetar. Segundo ele:
“Por muito tempo, o desenvolvimento de remédios teve um aspecto fortuito. O que mudou é que a IA permite que computadores compreendam algo muito complexo… para descobrir alvos, fazer os medicamentos e até ajudar nos ensaios clínicos.”
Ensaios clínicos e medicina personalizada
Apesar do otimismo, os ensaios clínicos seguem brutalmente caros — e a chance de um fármaco ir do primeiro teste até o fim do terceiro é só de 20%. Para Pande:
“A razão típica não é erro do biólogo; é que os experimentos foram feitos em modelos animais, como camundongos, e modelos animais não preveem bem humanos. O modelo de IA não será perfeito, mas será muito melhor do que qualquer modelo animal.”
Ele também defende a chamada “medicina de precisão”: em vez de comparar exames com médias populacionais, o ideal é saber o que é “estranho para você”.
O dilema dos dados
Diferente do que acontece com textos, dados biológicos não podem ser raspados da internet — e cada empresa acaba criando seu próprio conjunto isolado. Pande reconhece o problema:
“É um lugar onde não há dados que todos possam usar para treinar o mesmo modelo. É uma jogada interessante do ponto de vista da IA pura.”
Ele aposta, porém, na tendência de “atlas” de informação biológica e em modelos abertos:“À medida que esses atlas se tornam mais comuns, veremos o mesmo que aconteceu com LLMs open-source: modelos de fundação abertos em biologia terão um impacto muito amplo.”
Como a VZVC funciona
O fundo é intencionalmente pequeno. Para Pande, não se trata de fazer 30 apostas por ano:
“Adicionar uma empresa em um fundo típico é como adicionar um amigo no Facebook; para nós é como querer ter outro filho.”
Ele busca fundadores com integridade e visão de longo prazo, e se inspira em fundos concentrados como Thrive e no estilo de Antonio Gracias, da Valor.
O que aprendeu e o hype
Pande admite que demorou a valorizar o go-to-market: “a parte de ir ao mercado é pelo menos tão difícil quanto a tecnologia.” Sobre o hype em IA e biotech, ele pondera:
“A realidade é que a IA pode encontrar insights que os humanos sozinhos não conseguem. O problema é quando dizem que a IA vai curar tudo. A hesitação não é sobre IA, é sobre os dados: quando os dados simplesmente não existem, a IA não resolve magicamente o problema.”
Fonte: baseado na análise de Connie Loizos, publicada pela TechCrunch. Acesse a matéria original.